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Mesquita/RJ, 16 de abril de 2026.
Mesquita, 16 de abril de 2026 — A madrugada do último dia 10 de abril escancarou mais uma ferida aberta na Baixada Fluminense. No Centro de Mesquita, por volta da 1h, o designer de moda Michel Fernandes Cardoso, 35 anos, foi vítima de uma agressão brutal com características explícitas de LGBTfobia. O ataque, ocorrido dentro de um bar, deixou o jovem com 35 pontos no rosto após ter o gargalo de uma garrafa de vidro enfiado em seu rosto.
Para o PSOL Mesquita, o caso não é isolado. É sintoma de um Estado que falha na proteção de corpos dissidentes e naturaliza a violência contra a população LGBTQIAPN+. A legenda, que tem na pauta de direitos humanos uma de suas bandeiras centrais, repudia veementemente o episódio e cobra investigação célere, transparência e punição exemplar.
A cronologia da violência
Michel, que reside no Rio Grande do Sul, estava na cidade para visitar familiares. Na noite da agressão, foi a um bar próximo à casa da mãe. Segundo seu relato, enquanto estava sentado, passou a ouvir comentários homofóbicos vindos de um homem que estava acompanhado da esposa e do filho.
Ao questionar as ofensas, Michel foi surpreendido com uma pergunta violenta: "Você é homossexual?". Em seguida, levou um soco na boca. O agressor, já identificado, imobilizou a vítima com um golpe conhecido como "mata-leão", quebrou uma garrafa contra a parede e passou a golpear o rosto do designer com os cacos de vidro.
"A partir daí, ele começou a fazer cortes no meu rosto, claramente numa tentativa de me desfigurar. No bar havia cerca de dez pessoas, mas ninguém tentou me defender", contou Michel. As agressões só pararam após a esposa do agressor intervir, diante da gravidade da situação.
Mesmo ferido, Michel conseguiu arremessar uma cadeira contra o atacante e fugir. Desmaiou na fuga e foi socorrido por uma mulher em situação de rua, sendo levado à UPA de Edson Passos, onde recebeu 35 pontos no rosto.
A Coordenadoria de Diversidade Sexual de Mesquita só tomou ciência dos fatos após a militância do PSOL Mesquita expor o caso nas redes sociais. Mais uma vez, o PSOL se mostrou pioneiro na luta por direitos humanos no município.
O militante Rodrigo Nunes, desde que tomou ciência da agressão, publicizou o caso em suas redes sociais, dando notoriedade e visibilidade a uma violência que poderia ter ficado submersa no silêncio institucional. Foi a partir dessa exposição que o poder público começou a se mover.
Rodrigo Nunes e a comunidade LGBTQIAPN+ de Mesquita reivindicam há tempos ao município:
✔ Mais investimento em publicidade e campanhas permanentes de combate à LGBTfobia.
✔ A criação de um Núcleo de Cidadania de Direitos Humanos LGBTQIAPN+ dentro do município de Mesquita.
✔ A disponibilidade de plantonistas para atendimento emergencial, já que atualmente a população não pode ficar esperando pelos órgãos públicos apenas em dias úteis, de segunda a sexta-feira, sendo forçada a procurar atendimento em municípios vizinhos, como Nova Iguaçu.
"A população LGBTQIAPN+ de Mesquita não pode continuar refém do horário comercial. Violência não tem dia marcado. O poder público precisa estar preparado para atender às vítimas no momento da dor, não dias depois", afirmou Rodrigo Nunes.
Imagem: Rodrigo Nunes
A fala do agressor e a omissão que incomoda
Em depoimento à polícia, o suspeito negou que tenha havido motivação homofóbica. A versão, para o PSOL Mesquita, é mais um capítulo da tentativa de apagar a natureza política da violência.
"A LGBTfobia é crime no Brasil desde a decisão do Supremo Tribunal Federal em 2019, equiparada ao racismo. Não se trata de 'ofensa' ou 'desentendimento'. Trata-se de um crime de ódio, com tentativa de desfiguração e aniquilação simbólica de uma existência", afirma nota do diretório municipal.
O caso foi registrado na 53ª DP (Mesquita). A Polícia Civil informou que busca imagens de câmeras de segurança e testemunhas. O PSOL cobra, no entanto, que a investigação vá além do protocolo: "É preciso responsabilização do agressor, acompanhamento rigoroso e garantia de que a vítima não será revitimizada pelo sistema de Justiça."
Acolhimento e resistência
A Coordenadoria de Diversidade Sexual de Mesquita informou que Michel vem recebendo atendimento especializado por meio do Centro de Cidadania LGBTQIAPN+ Baixada III e do programa Rio Sem LGBTIfobia, com apoio jurídico e psicológico. O PSOL Mesquita reconhece os esforços desses equipamentos públicos, mas alerta: "Não bastam políticas de acolhimento sem políticas de prevenção e punição. Enquanto o Estado não agir na base, na educação e na segurança pública, novos Michels serão atacados."
O apelo que ecoa
Em entrevista, Michel fez um desabafo que já circula entre mandatos, imprensa e movimentos sociais: "Isso é um crime de ódio, um crime hediondo, e é muito doloroso. Faço um apelo a quem está assistindo: parem de matar a gente. A gente não quer nada além de viver — viver nossa vida, ser quem a gente é — sem ouvir barbaridades e sem sofrer violência. Por favor, parem de nos matar."
Posicionamento do PSOL Mesquita
Diretório municipal do PSOL em Mesquita espera :
✔ Investigação imediata, transparente e rigorosa pela 53ª Delegacia Policial (Mesquita).
✔ Responsabilização criminal do agressor, sem atenuantes.
✔ Acompanhamento do caso pelo Ministério Público e pela Ouvidoria da Polícia Civil.
✔ Proteção integral à vítima, incluindo apoio jurídico, psicológico e medidas de segurança.
✔ Da Prefeitura de Mesquita a ampliação de campanhas permanentes contra a LGBTfobia e a criação de um Núcleo de Cidadania de Direitos Humanos LGBTQIAPN+ com plantonistas para atendimento emergencial, sem depender de deslocamento para Nova Iguaçu;
"A violência contra a população LGBTQIAPN+ não é acidente. É projeto de extermínio consentido pelo silêncio. Mesquita precisa ser um território livre de LGBTfobia — e isso só se conquista com luta, organização e resposta firme do Estado", conclui a nota.
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Crédito: PSOL Mesquita
Fotografias: Extraída do Instagram (Rodrigo Nunes)
Fonte: G1 Notícias
Texto: Rodrigo Nunes e Matéria do G1
Redação: Wagner Gonçalves